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06/05/2022 às 16h39
Como a Guerra Russo-Ucraniana impactou o mercado de fertilizantes no Brasil?
Como a Guerra Russo-Ucraniana impactou o mercado de fertilizantes no Brasil?

O setor de agronegócios no Brasil tem crescido vertiginosamente nos últimos anos, apresentando uma tendência de expansão em volume médio do PIB de 1,6% ao ano nas últimas duas décadas, de acordo com estatísticas do CEPEA – USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Apenas em 2021, segundo dados do Governo Federal, o agronegócio brasileiro exportou US$ 120,59 bilhões, 19,7% a mais do que em 2020 e representando 40,6% das vendas externas do país.

Do território total de terras no Brasil, 329 milhões de hectares são agriculturáveis, somando-se a um clima diversificado e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta, o cenário não poderia ser melhor. Com tamanha força, o mercado agro viu-se desestabilizado no início de 2022, com a eclosão da Guerra Russo-Ucraniana, uma vez que apesar de tão potente, o setor ainda é muito dependente das importações de alguns produtos com baixa produção nacional, como os fertilizantes.

Essenciais para a nutrição e crescimento das plantas, garantindo sua melhor produtividade, os fertilizantes são parte importante da cadeia de suprimentos da agricultura brasileira e um dos produtos mais dependentes do íntegro funcionamento do comércio internacional. Atualmente o Brasil é o 4º maior produtor mundial de grãos, responsável por 7,8% de toda a produção global, e também é o 4º maior consumidor global de fertilizantes (8%). No entanto, 85% do mercado de fertilizantes brasileiro são importados de países como Rússia, China, Canadá, Marrocos e Bielorrússia, segundo o Ministério da Economia, reforçando a baixa produtividade interna.

Por que a Guerra na Ucrânia abalou o mercado de fertilizantes no Brasil?

O uso de fertilizantes no Brasil é concentrado em quatro culturas principais: soja, milho, cana-de-açúcar e café – somando mais de 73% do consumo nacional. Para suprir esta demanda, são utilizados os fertilizantes importados, e os de produção interna, os quais têm como principais nutrientes em sua composição: potássio (38%), fósforo (33%) e nitrogênio (29%). Tais matérias-primas também são importadas em grande parte de outros países, como a Rússia, produtora e exportadora em larga escala dos nutrientes essenciais para a produção dos fertilizantes.

Com a recente invasão da Rússia à Ucrânia e consequente Guerra no território europeu, o comércio internacional foi comprometido, gerando um aumento no preço das commodities e, como efeito, a ampliação no valor dos produtos finais. Desta forma, o mercado de fertilizantes no Brasil foi impactado tanto no que diz respeito à importação das matérias-primas para sua produção, quanto na compra do produto em si. Como consequência, a falta ou baixa oferta de fertilizantes, reflete diretamente no valor dos produtos finais, afetando também o consumidor final.

Ou seja, com a instabilidade do mercado de fertilizantes, o segmento de agronegócios sofre impactos significativos na produção de suas culturas básicas, como milho, cana-de-açúcar, trigo, soja, cevada e grãos no geral, aumentando o tempo, mão-de-obra e o custo da produção. Desta forma, o mercado alimentício também fica suscetível a oscilações, especialmente no preço dos produtos derivados destes cultivos, como pães, açúcar e cerveja, impactando a cadeia produtiva de maneira geral.

Resposta à crise

Visando auxiliar o mercado de fertilizantes neste momento de desiquilíbrio e já planejando um futuro promissor para este setor, o Governo Federal lançou em março deste ano, o Plano Nacional de Fertilizantes, com novas medidas para reduzir a dependência do produtor rural brasileiro em relação ao fertilizante importado. Como referência de planejamento para o setor até 2050, o objetivo central do Plano é, readequar o equilíbrio entre a produção nacional e a importação de fertilizantes, diminuindo a compra internacional dos atuais 85% para 45%, mesmo que haja um crescimento na demanda por fertilizantes dentro deste período.

Para que isso ocorra, é de extrema importância destinar investimentos em tecnologias industriais para a produção e implementação de fertilizantes, além de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para inovações no setor. Além disso, empresas que investem em projetos de capacidade produtiva e geração de eficiência energética, tendem a obter melhores resultados. Atualmente, o mercado de fertilizantes brasileiro tem total capacidade de crescer e atingir um nível de maturidade para caminhar com maior independência, especialmente por já estar inserido em um dos setores de maior relevância da economia nacional, o agronegócio. Portanto, com as pesquisas, parcerias e investimentos consistentes, o setor pode e deve crescer ainda mais, consolidando o país como um dos principais mercados agrícolas globalmente.

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