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22/03/2021 às 15h38
Mulheres na indústria: entenda a importância de enaltecer a presença feminina neste mercado

mulheres na indústria

A presença de mulheres no mercado de trabalho é uma discussão antiga e ao mesmo tempo, extremamente atual. A cada ano que passa a quantidade de mulheres conquistando espaços só aumenta, mas ainda não é satisfatório. O segmento industrial, por exemplo, tem tido uma presença maior de mulheres, mas de maneira geral, ainda é uma área majoritariamente masculina.

De acordo com o IBGE, em 1950, 14% das mulheres tinham um emprego no Brasil. Atualmente, esse número passou para 49,9% das mulheres, o que representa uma grande evolução, mas ainda não o patamar ideal. Apesar de ainda ser baixa, a assiduidade feminina tem crescido com o passar dos anos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que a participação feminina na área industrial cresceu 14,3% em 20 anos, passando de 22,5% em 1999, para 25,8% em 2019.

Um ambiente predominantemente masculino pode se tornar um local intimidador e uma barreira para o aumento no número de mulheres atuando neste setor. Discutir esse tema de maneira recorrente e incentivar ações que aumentem a representatividade, aproxima as mulheres do setor industrial, além de auxiliar na desconstrução da ideia de que o ambiente industrial é somente para homens.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é que o trabalho é um importante fator na vida social e na autonomia dos indivíduos. A conquista deste setor para a mulher combate à desigualdade, assim como contribui para a construção da identidade pessoal e o reconhecimento das mulheres como indivíduos capazes de atuar em qualquer local e posição.

Os desafios da mulher na indústria

O cenário ainda é desafiador para as mulheres na indústria. Nas universidades, é possível perceber a diferença entre os gêneros: o percentual de mulheres nos últimos semestres é de 16% em cursos de engenharia elétrica, por exemplo. Essa diferença tende apenas a aumentar conforme adentramos no ambiente industrial, e por ser majoritariamente masculino, torna-se ainda mais intimidador.

Embora a sociedade já tenha evoluído, ainda existem estereótipos que reforçam a desigualdade no trabalho e a ideia de que as características femininas se encaixam em atividades que demandem paciência e delicadeza, um pensamento que deve ser desconsiderado.

A Fluke sempre levanta debates sobre a representatividade e desenvolve ações para trazer e enaltecer as mulheres da indústria. Em 2020, foi desenvolvido um workshop de elétrica básica para todas, onde ensinamos os principais conceitos da área e orientamos como realizar as principais manutenções em casa. Clique aqui e saiba mais desta iniciativa.

Conheça abaixo quatro mulheres com experiências incríveis na área industrial


Heather Naida, Engenheira Industrial e VP Commercial Americas Sales da Fluke Corporation

“A diversidade é crucial na força de trabalho para construir uma cultura de funcionários inspiradora com competição saudável e trabalho em equipe a fim de ajudar a empresa a desenvolver todo o seu potencial. Há um grande foco na construção e manutenção de uma força de trabalho diversificada e inclusiva na Fluke. Nossas equipes passam por treinamentos sobre preconceito inconsciente, contratando e promovendo de forma justa para garantir que estamos oferecendo oportunidades iguais.

Pode ser um desafio obter acesso a oportunidades e encontrar o apoio para prosperar. Todos os dias, mulheres em todos os tipos de funções derrubam barreiras e abrem o caminho para o futuro. Não acredito que só porque passei por momentos difíceis com certas coisas significa que a próxima geração deve passar pelas mesmas lutas. É nossa responsabilidade tornar mais fácil para futuros talentos alcançarem o sucesso e remover obstáculos onde pudermos. Tive a sorte de ter líderes fortes que se preocuparam comigo ao longo de minha carreira e nunca considero isso garantido. Tento pagar por isso, sempre me esforçando ao máximo e ajudando os outros da mesma maneira que eu fui ajudada.

O sucesso não é linear e o caminho para a vitória será cheio de curvas com experiências. Se eu puder dar um conselho, é: ‘vá em frente e aceite o trabalho para o qual está dizendo a si mesma que não está pronta, porque não importa quem fique com ele, essa pessoa terá que aprender coisas novas, então por que não você? Não tenha medo de aceitar ajuda e tentar o seu melhor. Essa é a melhor maneira de aprender e crescer”.


Anelise Fernandes, Consultora em Metrologia e Qualidade e Instrutora da Fluke Academy

“O papel da mulher em qualquer sociedade desenvolvida é indiscutível. Devemos estar presentes em todas as áreas do mercado de trabalho, no esporte, na educação, na ciência, na cultura, na indústria. Não apenas por uma questão de inclusão, mas porque somos capazes de exercer qualquer atividade em qualquer ambiente profissional. Somos determinadas, fortes, inteligentes, e para qualquer cargo que desejarmos temos a habilidade de sensibilizar e fazer uma leitura diferente dos problemas. Assim sendo a presença das mulheres em qualquer área do mercado de trabalho, inclusive daquelas consideradas ‘masculinas’, trazem uma nova perspectiva e crescimento para as instituições.

Os cursos de graduação das áreas de exatas ainda são considerados ambientes para homens. Mesmo tendo cursado a minha graduação em Física na PUC-RS, onde costumam ter mais mulheres que buscam atuar na área da saúde no bacharelado em Física Médica ou atuar como professoras na licenciatura em Física; ainda assim encontramos resistência por parte dos colegas. Alguns diziam com todas as letras que não erámos capazes de ser aprovadas em disciplinas de cálculo, outros insinuavam que teríamos mais dificuldades do que eles. Mas no final do curso eu provei que era capaz e ainda recebi o prêmio de melhor média acadêmica entre os formandos. Já atuando na área de metrologia industrial, escutava de alguns colegas que local de mulher era na cozinha, mas não desisti e hoje sou instrutora de cursos para profissionais que atuam na indústria.

As barreiras precisam ser quebradas, e não podemos mais admitir hoje que existam ambientes femininos ou masculinos. O que temos é um mercado de trabalho aberto que precisa de profissionais qualificados, independente de gênero. Precisamos que cada vez mais e mais mulheres atuem em todas as áreas para acabar com estes tabus da nossa sociedade”.


Kimberlin Cardoso, Engenheira Eletricista e Especialista de Marketing e Conteúdo da Fluke

“O trabalho é um importante fator na vida social e na autonomia dos indivíduos, a conquista deste setor para a mulher é extremamente importante tanto para combater a desigualdade presente em outros setores como para a construção da identidade pessoal e o reconhecimento das mulheres como indivíduos capazes de atuar em qualquer lugar.

Em a minha trajetória consegui observar que a falta de diversidade nesta área começa durante a formação acadêmica. Durante a minha formação em engenharia elétrica eu ouvi muitos comentários desconstrutivos e percebi que as mulheres no curso eram constantemente subestimadas. No último semestre o percentual de mulheres na turma é de 16%. Essa diferença tende apenas a aumentar conforme vamos adentrando no ambiente industrial, e por ser majoritariamente masculino torna-se ainda mais intimidador.

Embora a sociedade já tenha mudado bastante, ainda existem estereótipos que reforçam a desigualdade no trabalho e reforçam a ideia de que as características femininas se encaixam mais em atividades que demandam paciência e delicadeza. O setor industrial ainda é um ambiente considerado pela maioria da população como um ‘universo masculino’.

Se eu pudesse dar um conselho para cada mulher que tem vontade de adentrar o segmento industrial, diria que embora a probabilidade de enfrentar dificuldades durante a sua jornada seja alta, é 100% possível conquistar o seu espaço e desenvolver a sua carreira no setor. Ao aumentarmos a representatividade das mulheres nos setores masculinizados também diminuímos a desigualdade presente entre os homens e as mulheres na nossa sociedade”.


Marcela Taliati, Engenheira Civil na Comgás

“Vejo a empresa como um grande time, se um time descarta grandes valores profissionais é um desperdício e estará em desvantagem na competição. Se uma empresa deixa de usar uma mão de obra [feminina] qualificada e competente, estará em desvantagem com a concorrência que usa esta mão de obra.

Acredito que o mercado onde trabalho propicia grandes oportunidades de crescimento profissional para as mulheres. Eu me espelho nas grandes líderes da minha empresa, que assumem postos importantes e estratégicos na companhia, e já quebraram e quebram todos os dias estes paradigmas.

A sociedade brasileira evoluiu e vem evoluindo muito nos últimos anos. Empresas como a Comgás fazem parte da força motriz do mercado nacional, e são responsáveis por influenciar positivamente o mercado, fomentando oportunidades iguais a seus funcionários, e em especial a mulheres como eu.

Sobre a visão de o mercado ser masculinizado, com relação à Comgás, a presença de mulheres é comum em todos os níveis hierárquicos, provando capacidade competitiva, intelectual e eficiência. Isso se aplica inclusive às atuações em que historicamente contavam com a presença majoritária masculina e que hoje, devido ao interesse das mulheres de exercerem estas profissões e a oportunidades iguais de seleção, são amplamente preenchidas pelo público feminino”.

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